Guia prático

Avaliação antropométrica: o que medir, como medir e como interpretar

Medidas, índices e pontos de corte de cada fase da vida, com a técnica de cada medida. As tabelas vêm da norma do SISVAN e da OMS, com a fonte embaixo de cada uma.

Ver os pontos de corte

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fases da vida, da criança à gestante
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medidas com a técnica passo a passo
4
tabelas de pontos de corte com a fonte
Nesta página
  1. O que é e para que serve
  2. O que medir em cada fase
  3. Como medir
  4. Como interpretar
  5. Composição corporal
  6. No Flow Nutri
  7. Perguntas frequentes
  8. Referências

O que é avaliação antropométrica

Avaliação antropométrica é a medição do corpo do paciente, como peso, estatura, circunferências e dobras cutâneas, comparada com valores de referência para a fase da vida e o sexo. É o que dá número ao diagnóstico nutricional: mostra baixo peso, excesso de peso e gordura abdominal, e acompanha o crescimento da criança e a evolução do adulto entre as consultas.

A medida sozinha diz pouco. Ela vira índice quando se combina com outra medida ou com a idade (o IMC, o peso para idade), e vira diagnóstico quando o índice é comparado com um ponto de corte. Cada fase da vida tem os seus índices, as suas curvas e os seus cortes.

Peso, estatura e cintura cobrem a rotina. Dobras cutâneas e bioimpedância entram quando a pergunta é a composição corporal: quanto do peso é gordura e quanto é massa magra.

O que medir em cada fase da vida

O SISVAN, sistema de vigilância alimentar e nutricional do Ministério da Saúde, define o mínimo de cada fase. O resto da avaliação parte daqui.

Medidas e índices recomendados pelo SISVAN
FaseO que medirÍndicesReferência
CriançaMenores de 10 anosPeso e estatura (comprimento deitado antes dos 2 anos)Peso para idade, estatura para idade, peso para estatura (menores de 5 anos) e IMC para idadeCurvas da OMS de 2006 (menores de 5 anos) e de 2007 (5 anos ou mais)
Adolescente10 a 19 anosPeso e estaturaIMC para idade e estatura para idadeCurvas da OMS de 2007
Adulto20 a 59 anosPeso, estatura e circunferência da cinturaIMC e circunferência da cinturaOMS (1995 e 2000)
Idoso60 anos ou maisPeso e estaturaIMC, com pontos de corte própriosNutrition Screening Initiative (1994)
GestanteAdulta, com um só fetoPeso, estatura e data da última menstruaçãoIMC pré-gestacional e ganho de peso por semana gestacionalCurvas brasileiras de ganho de peso gestacional (Caderneta da Gestante, desde 2022)

Fonte: Norma Técnica do SISVAN (2011), quadros 1 e 3.

Na criança, os índices pedem a idade exata em meses. A norma arredonda assim: fração de até 15 dias fica no mês completo; de 16 dias para cima, vai para o mês seguinte.

Como medir peso, estatura e circunferências

Erro de técnica aparece como mudança no paciente. A norma pede equipamento conferido antes de cada medida, local com boa luz, privacidade e conforto, e a medida anotada na hora. Na dúvida, repita.

  1. Peso

    InstrumentoBalança calibrada, em piso liso e nivelado. A digital precisa estar ligada e no zero antes de o paciente subir.

    1. Paciente descalço, com roupa leve e sem chaves, cinto, celular ou outro objeto pesado. Antes dos 2 anos, a criança é pesada sem roupa, na balança pediátrica.
    2. No centro da balança, ereto, pés juntos e braços ao longo do corpo, parado.
    3. Leia quando o valor fixar no visor e anote na hora.

    Quando: Em toda consulta.

  2. Estatura

    InstrumentoEstadiômetro em parede lisa e sem rodapé. Antes dos 2 anos, o comprimento é medido deitado, no infantômetro.

    1. Paciente descalço e sem adereço na cabeça, no centro do equipamento, de pé e com os braços ao longo do corpo.
    2. Cabeça no plano de Frankfurt: a borda de baixo da órbita e a borda de cima do ouvido na mesma linha horizontal.
    3. Calcanhares, panturrilhas, glúteos, escápulas e a parte de trás da cabeça (occipital) encostados no estadiômetro. Se não der, pelo menos três desses pontos.
    4. Desça a parte móvel até comprimir o cabelo e leia sem soltar.

    Quando: No adulto e no idoso, na primeira consulta e uma vez por ano.

  3. Circunferência da cintura

    InstrumentoFita métrica inelástica. A medida é feita na pele, nunca sobre a roupa ou o cinto.

    1. Paciente de pé, ereto, abdômen relaxado, braços ao longo do corpo e pernas levemente afastadas.
    2. Marque o ponto médio entre a borda de baixo da última costela e a crista ilíaca.
    3. Passe a fita sobre a marca, no mesmo nível em toda a volta, sem apertar nem deixar folga.
    4. Leia ao fim de uma expiração normal, como pede a OMS. A norma do SISVAN pede que o paciente expire totalmente e manda ler antes da nova inspiração.
    5. Meça duas vezes. Se a diferença for de até 1 cm, use a média; se passar disso, repita as duas.
  4. Circunferência do quadril

    InstrumentoA mesma fita da cintura.

    1. Paciente de pé, pés juntos, braços ao lado do corpo e o peso distribuído nos dois pés.
    2. Passe a fita na parte mais larga dos glúteos, paralela ao chão.
    3. Repita como na cintura: duas medidas, média se a diferença for de até 1 cm.

Fonte: Norma Técnica do SISVAN (2011), parte III; expiração na cintura, quadril e repetição das circunferências, OMS (2008), seção 2.5.

Para as dobras cutâneas, o guia do protocolo de Pollock 7 dobras mostra onde pinçar cada ponto, a direção da dobra e quantas vezes medir.

Como interpretar: pontos de corte por fase

Os valores abaixo vêm da norma do SISVAN e da OMS, com a fonte embaixo de cada tabela. Servem para classificar; a conduta continua sendo leitura clínica de quem atende.

IMC do adulto (20 a 59 anos)

IMC = peso (kg) ÷ estatura² (m)
IMC (kg/m²)Diagnóstico nutricional
Menor que 18,5Baixo peso
18,5 a menor que 25Adequado ou eutrófico
25 a menor que 30Sobrepeso
30 ou maisObesidade

Fonte: Norma Técnica do SISVAN (2011), quadro 16, a partir da OMS (1995).

IMC do idoso (60 anos ou mais)

Mesma conta, com pontos de corte próprios
IMC (kg/m²)Diagnóstico nutricional
22 ou menosBaixo peso
Maior que 22 e menor que 27Adequado ou eutrófico
27 ou maisSobrepeso

A norma explica o corte diferente pelas mudanças do envelhecimento: a estatura diminui, a massa muscular e a água corporal caem e a gordura muda de lugar.

Fonte: Norma Técnica do SISVAN (2011), quadro 18, a partir da Nutrition Screening Initiative (1994).

Cintura e relação cintura-quadril

Risco de complicações metabólicas
IndicadorHomensMulheresRisco
Circunferência da cinturaAcima de 94 cmAcima de 80 cmAumentado
Circunferência da cinturaAcima de 102 cmAcima de 88 cmMuito aumentado
Relação cintura-quadril0,90 ou mais0,85 ou maisMuito aumentado

O relatório avisa que os cortes de cintura vêm de uma amostra holandesa e foram dados como exemplo, sem ser recomendação formal da OMS; a relação cintura-quadril vem da definição de síndrome metabólica da OMS de 1999. O SISVAN usa a cintura como parâmetro complementar do adulto, com 94 cm ou mais para homens e 80 cm ou mais para mulheres (quadro 17).

Fonte: OMS, relatório sobre circunferência da cintura e relação cintura-quadril (2008), anexo A1, tabela A1.

Criança e adolescente: IMC para idade

Escore-z nas curvas da OMS, por sexo e idade
Escore-zMenores de 5 anos5 a 19 anos
Abaixo de -3Magreza acentuadaMagreza acentuada
De -3 a menor que -2MagrezaMagreza
De -2 a +1EutrofiaEutrofia
Acima de +1 até +2Risco de sobrepesoSobrepeso
Acima de +2 até +3SobrepesoObesidade
Acima de +3ObesidadeObesidade grave

Na estatura para idade, abaixo de -3 é muito baixa estatura, de -3 a menor que -2 é baixa estatura e de -2 para cima é estatura adequada (quadros 9 e 14).

Fonte: Norma Técnica do SISVAN (2011), quadros 7, 8, 10, 11, 13 e 15 (limites conforme os quadros-resumo 10, 11 e 15), a partir da OMS (2006 e 2007).

Gestante

A norma do SISVAN de 2011 classifica a gestante pelo IMC por semana gestacional (curva de Atalah, 1997). A Caderneta da Gestante do Ministério da Saúde trocou esse método em 2022: classifica o IMC pré-gestacional e acompanha o ganho de peso desde o início da gestação, por semana gestacional.

Os gráficos da caderneta saem das curvas brasileiras de ganho de peso gestacional (Kac et al., 2021), e as faixas recomendadas, de Carrilho et al. (2023). As curvas foram feitas para gestantes adultas com um só feto; o uso em adolescentes e em gestação gemelar não foi testado.

Composição corporal: dobras e bioimpedância

Para saber quanto do peso é gordura e quanto é massa magra, a antropometria usa as dobras cutâneas: a maioria dos protocolos estima a densidade corporal e, dela, o percentual de gordura; alguns, como o de Slaughter, dão o percentual direto.

Use o mesmo protocolo em todas as avaliações do paciente: é a comparação entre uma consulta e outra que mostra a evolução.

A avaliação no prontuário do Flow Nutri

No Flow Nutri, cada avaliação fica na ficha do paciente, ao lado da anterior. A evolução aparece no número, no gráfico e nas fotos lado a lado.

  • Dobras em 7 protocolos: Pollock 3 e 7, Durnin, Petroski, Faulkner, Slaughter e Guedes
  • Circunferências, diâmetros ósseos e bioimpedância
  • O laudo da bioimpedância lido a partir do PDF ou da foto, para você conferir
  • Fotos de evolução em quatro poses
  • PDF de evolução para entregar ao paciente

Ver a avaliação antropométrica do Flow Nutri

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre avaliação antropométrica

Quais medidas entram na avaliação antropométrica?

Peso e estatura em todas as fases da vida, e a circunferência da cintura no adulto, segundo a norma do SISVAN. Circunferência do quadril, dobras cutâneas e bioimpedância complementam quando a pergunta é a distribuição da gordura ou a composição corporal.

Como medir a circunferência da cintura?

Com o paciente de pé e o abdômen relaxado, no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca, com a fita na pele e no mesmo nível em toda a volta. A OMS manda ler ao fim de uma expiração normal; a norma do SISVAN, depois de o paciente expirar totalmente.

Por que o IMC do idoso tem outro ponto de corte?

Porque o corpo muda com a idade: a estatura diminui, a massa muscular e a água corporal caem e a gordura se redistribui. Por isso o SISVAN classifica o idoso como baixo peso com IMC de 22 ou menos e como sobrepeso a partir de 27.

Quais curvas usar para criança e adolescente?

As da OMS: as de 2006 para menores de 5 anos e as de 2007 dos 5 aos 19 anos, por sexo. O IMC para idade e a estatura para idade valem em todas as idades; peso para estatura, só em menores de 5 anos.

De quanto em quanto tempo medir?

A norma do SISVAN pede o peso em toda consulta e, no adulto e no idoso, a estatura na primeira consulta e uma vez por ano. Na gestante adolescente, a estatura é medida pelo menos a cada trimestre.

Qual a diferença entre antropometria e bioimpedância?

A antropometria mede o corpo diretamente, com balança, estadiômetro, fita e adipômetro. A bioimpedância estima a composição corporal pela passagem de uma corrente elétrica fraca. Na evolução do paciente, compare sempre medidas feitas pelo mesmo método.

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Orientações para a coleta e análise de dados antropométricos em serviços de saúde: Norma Técnica do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN). Brasília: Ministério da Saúde; 2011.
  2. World Health Organization. Physical status: the use and interpretation of anthropometry. Report of a WHO Expert Committee. Technical Report Series 854. Geneva: WHO; 1995.
  3. World Health Organization. Waist circumference and waist-hip ratio: report of a WHO expert consultation, Geneva, 8-11 December 2008. Geneva: WHO; 2011.
  4. WHO Multicentre Growth Reference Study Group. WHO Child Growth Standards: length/height-for-age, weight-for-age, weight-for-length, weight-for-height and body mass index-for-age: methods and development. Geneva: WHO; 2006.
  5. de Onis M, et al. Development of a WHO growth reference for school-aged children and adolescents. Bull World Health Organ. 2007;85(9):660-7.
  6. World Health Organization. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO consultation. Technical Report Series 894. Geneva: WHO; 2000.
  7. The Nutrition Screening Initiative. Incorporating nutrition screening and interventions into medical practice: a monograph for physicians. Washington, DC: American Academy of Family Physicians, The American Dietetic Association, National Council on Aging; 1994.
  8. Kac G, Carrilho TRB, et al. Gestational weight gain charts: results from the Brazilian Maternal and Child Nutrition Consortium. Am J Clin Nutr. 2021;113(5):1351-60.
  9. Carrilho TRB, et al. Gestational weight gain according to the Brazilian charts and its association with maternal and infant adverse outcomes. Am J Clin Nutr. 2023;117(2):414-25.
  10. Atalah Samur E, et al. Propuesta de un nuevo estándar de evaluación nutricional en embarazadas. Rev Med Chile. 1997;125(12):1429-36.
  11. Brasil. Ministério da Saúde. Caderneta da Gestante. 6ª ed. revisada. Brasília: Ministério da Saúde; 2022.

Suas avaliações no mesmo lugar

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