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O que é avaliação antropométrica
Avaliação antropométrica é a medição do corpo do paciente, como peso, estatura, circunferências e dobras cutâneas, comparada com valores de referência para a fase da vida e o sexo. É o que dá número ao diagnóstico nutricional: mostra baixo peso, excesso de peso e gordura abdominal, e acompanha o crescimento da criança e a evolução do adulto entre as consultas.
A medida sozinha diz pouco. Ela vira índice quando se combina com outra medida ou com a idade (o IMC, o peso para idade), e vira diagnóstico quando o índice é comparado com um ponto de corte. Cada fase da vida tem os seus índices, as suas curvas e os seus cortes.
Peso, estatura e cintura cobrem a rotina. Dobras cutâneas e bioimpedância entram quando a pergunta é a composição corporal: quanto do peso é gordura e quanto é massa magra.
O que medir em cada fase da vida
O SISVAN, sistema de vigilância alimentar e nutricional do Ministério da Saúde, define o mínimo de cada fase. O resto da avaliação parte daqui.
| Fase | O que medir | Índices | Referência |
|---|---|---|---|
| CriançaMenores de 10 anos | Peso e estatura (comprimento deitado antes dos 2 anos) | Peso para idade, estatura para idade, peso para estatura (menores de 5 anos) e IMC para idade | Curvas da OMS de 2006 (menores de 5 anos) e de 2007 (5 anos ou mais) |
| Adolescente10 a 19 anos | Peso e estatura | IMC para idade e estatura para idade | Curvas da OMS de 2007 |
| Adulto20 a 59 anos | Peso, estatura e circunferência da cintura | IMC e circunferência da cintura | OMS (1995 e 2000) |
| Idoso60 anos ou mais | Peso e estatura | IMC, com pontos de corte próprios | Nutrition Screening Initiative (1994) |
| GestanteAdulta, com um só feto | Peso, estatura e data da última menstruação | IMC pré-gestacional e ganho de peso por semana gestacional | Curvas brasileiras de ganho de peso gestacional (Caderneta da Gestante, desde 2022) |
Fonte: Norma Técnica do SISVAN (2011), quadros 1 e 3.
Na criança, os índices pedem a idade exata em meses. A norma arredonda assim: fração de até 15 dias fica no mês completo; de 16 dias para cima, vai para o mês seguinte.
Como medir peso, estatura e circunferências
Erro de técnica aparece como mudança no paciente. A norma pede equipamento conferido antes de cada medida, local com boa luz, privacidade e conforto, e a medida anotada na hora. Na dúvida, repita.
Peso
InstrumentoBalança calibrada, em piso liso e nivelado. A digital precisa estar ligada e no zero antes de o paciente subir.
- Paciente descalço, com roupa leve e sem chaves, cinto, celular ou outro objeto pesado. Antes dos 2 anos, a criança é pesada sem roupa, na balança pediátrica.
- No centro da balança, ereto, pés juntos e braços ao longo do corpo, parado.
- Leia quando o valor fixar no visor e anote na hora.
Quando: Em toda consulta.
Estatura
InstrumentoEstadiômetro em parede lisa e sem rodapé. Antes dos 2 anos, o comprimento é medido deitado, no infantômetro.
- Paciente descalço e sem adereço na cabeça, no centro do equipamento, de pé e com os braços ao longo do corpo.
- Cabeça no plano de Frankfurt: a borda de baixo da órbita e a borda de cima do ouvido na mesma linha horizontal.
- Calcanhares, panturrilhas, glúteos, escápulas e a parte de trás da cabeça (occipital) encostados no estadiômetro. Se não der, pelo menos três desses pontos.
- Desça a parte móvel até comprimir o cabelo e leia sem soltar.
Quando: No adulto e no idoso, na primeira consulta e uma vez por ano.
Circunferência da cintura
InstrumentoFita métrica inelástica. A medida é feita na pele, nunca sobre a roupa ou o cinto.
- Paciente de pé, ereto, abdômen relaxado, braços ao longo do corpo e pernas levemente afastadas.
- Marque o ponto médio entre a borda de baixo da última costela e a crista ilíaca.
- Passe a fita sobre a marca, no mesmo nível em toda a volta, sem apertar nem deixar folga.
- Leia ao fim de uma expiração normal, como pede a OMS. A norma do SISVAN pede que o paciente expire totalmente e manda ler antes da nova inspiração.
- Meça duas vezes. Se a diferença for de até 1 cm, use a média; se passar disso, repita as duas.
Circunferência do quadril
InstrumentoA mesma fita da cintura.
- Paciente de pé, pés juntos, braços ao lado do corpo e o peso distribuído nos dois pés.
- Passe a fita na parte mais larga dos glúteos, paralela ao chão.
- Repita como na cintura: duas medidas, média se a diferença for de até 1 cm.
Fonte: Norma Técnica do SISVAN (2011), parte III; expiração na cintura, quadril e repetição das circunferências, OMS (2008), seção 2.5.
Para as dobras cutâneas, o guia do protocolo de Pollock 7 dobras mostra onde pinçar cada ponto, a direção da dobra e quantas vezes medir.
Como interpretar: pontos de corte por fase
Os valores abaixo vêm da norma do SISVAN e da OMS, com a fonte embaixo de cada tabela. Servem para classificar; a conduta continua sendo leitura clínica de quem atende.
IMC do adulto (20 a 59 anos)
| IMC (kg/m²) | Diagnóstico nutricional |
|---|---|
| Menor que 18,5 | Baixo peso |
| 18,5 a menor que 25 | Adequado ou eutrófico |
| 25 a menor que 30 | Sobrepeso |
| 30 ou mais | Obesidade |
Fonte: Norma Técnica do SISVAN (2011), quadro 16, a partir da OMS (1995).
IMC do idoso (60 anos ou mais)
| IMC (kg/m²) | Diagnóstico nutricional |
|---|---|
| 22 ou menos | Baixo peso |
| Maior que 22 e menor que 27 | Adequado ou eutrófico |
| 27 ou mais | Sobrepeso |
A norma explica o corte diferente pelas mudanças do envelhecimento: a estatura diminui, a massa muscular e a água corporal caem e a gordura muda de lugar.
Fonte: Norma Técnica do SISVAN (2011), quadro 18, a partir da Nutrition Screening Initiative (1994).
Cintura e relação cintura-quadril
| Indicador | Homens | Mulheres | Risco |
|---|---|---|---|
| Circunferência da cintura | Acima de 94 cm | Acima de 80 cm | Aumentado |
| Circunferência da cintura | Acima de 102 cm | Acima de 88 cm | Muito aumentado |
| Relação cintura-quadril | 0,90 ou mais | 0,85 ou mais | Muito aumentado |
O relatório avisa que os cortes de cintura vêm de uma amostra holandesa e foram dados como exemplo, sem ser recomendação formal da OMS; a relação cintura-quadril vem da definição de síndrome metabólica da OMS de 1999. O SISVAN usa a cintura como parâmetro complementar do adulto, com 94 cm ou mais para homens e 80 cm ou mais para mulheres (quadro 17).
Fonte: OMS, relatório sobre circunferência da cintura e relação cintura-quadril (2008), anexo A1, tabela A1.
Criança e adolescente: IMC para idade
| Escore-z | Menores de 5 anos | 5 a 19 anos |
|---|---|---|
| Abaixo de -3 | Magreza acentuada | Magreza acentuada |
| De -3 a menor que -2 | Magreza | Magreza |
| De -2 a +1 | Eutrofia | Eutrofia |
| Acima de +1 até +2 | Risco de sobrepeso | Sobrepeso |
| Acima de +2 até +3 | Sobrepeso | Obesidade |
| Acima de +3 | Obesidade | Obesidade grave |
Na estatura para idade, abaixo de -3 é muito baixa estatura, de -3 a menor que -2 é baixa estatura e de -2 para cima é estatura adequada (quadros 9 e 14).
Fonte: Norma Técnica do SISVAN (2011), quadros 7, 8, 10, 11, 13 e 15 (limites conforme os quadros-resumo 10, 11 e 15), a partir da OMS (2006 e 2007).
Gestante
A norma do SISVAN de 2011 classifica a gestante pelo IMC por semana gestacional (curva de Atalah, 1997). A Caderneta da Gestante do Ministério da Saúde trocou esse método em 2022: classifica o IMC pré-gestacional e acompanha o ganho de peso desde o início da gestação, por semana gestacional.
Os gráficos da caderneta saem das curvas brasileiras de ganho de peso gestacional (Kac et al., 2021), e as faixas recomendadas, de Carrilho et al. (2023). As curvas foram feitas para gestantes adultas com um só feto; o uso em adolescentes e em gestação gemelar não foi testado.
Composição corporal: dobras e bioimpedância
Para saber quanto do peso é gordura e quanto é massa magra, a antropometria usa as dobras cutâneas: a maioria dos protocolos estima a densidade corporal e, dela, o percentual de gordura; alguns, como o de Slaughter, dão o percentual direto.
Use o mesmo protocolo em todas as avaliações do paciente: é a comparação entre uma consulta e outra que mostra a evolução.
A avaliação no prontuário do Flow Nutri
No Flow Nutri, cada avaliação fica na ficha do paciente, ao lado da anterior. A evolução aparece no número, no gráfico e nas fotos lado a lado.
- Dobras em 7 protocolos: Pollock 3 e 7, Durnin, Petroski, Faulkner, Slaughter e Guedes
- Circunferências, diâmetros ósseos e bioimpedância
- O laudo da bioimpedância lido a partir do PDF ou da foto, para você conferir
- Fotos de evolução em quatro poses
- PDF de evolução para entregar ao paciente