Protocolo de Pollock 7 Dobras: Guia Completo com Técnicas
Aprenda o protocolo de Pollock 7 dobras com técnica correta, fórmulas validadas e erros comuns. Guia prático para avaliação de composição corporal.

Protocolo de Pollock 7 Dobras: Guia Completo para Avaliação de Composição Corporal
Introdução
O protocolo de Pollock de 7 dobras cutâneas é considerado um dos métodos antropométricos mais completos e precisos para estimativa de composição corporal em adultos. Desenvolvido por Jackson e Pollock em 1978 (para homens) e 1980 (para mulheres), este protocolo apresenta correlação robusta com métodos de referência como DEXA (r=0.85-0.90) e oferece maior acurácia quando comparado ao protocolo de 3 dobras.
A principal vantagem do protocolo de 7 dobras está na análise de múltiplos pontos anatômicos, permitindo uma avaliação mais abrangente da distribuição de gordura subcutânea. Enquanto o protocolo de 3 dobras pode ser suficiente para avaliações rápidas, o de 7 dobras é indicado quando se busca maior precisão, especialmente em populações heterogêneas ou em acompanhamento de mudanças sutis na composição corporal.
Neste guia técnico, você aprenderá a localização anatômica precisa dos 7 pontos de medição, a técnica correta de pinçamento, as fórmulas validadas para cálculo de densidade corporal e percentual de gordura, além dos erros mais comuns que podem comprometer a acurácia do método. Também apresentaremos um exemplo prático de cálculo e tabelas de classificação baseadas em evidências.
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1. Equipamentos Necessários
Para realizar o protocolo de Pollock 7 dobras com precisão, você precisará dos seguintes equipamentos:
Adipômetro Científico
- Marcas recomendadas: Cescorf (Brasil), Lange ou Harpenden (importados)
- Precisão mínima: 0.1mm
- Pressão constante: 10 g/mm² (fundamental para reprodutibilidade)
- Abertura: Mínimo 80mm para atender todos os biotipos
Atenção: Adipômetros clínicos (plástico) não possuem a calibração necessária para uso científico/clínico profissional.
Fita Métrica Inelástica
- Material: Fibra de vidro ou metálica
- Precisão: 0.1cm
- Uso: Localizar pontos anatômicos (distâncias, circunferências)
Caneta Dermográfica
- Para marcar pontos anatômicos antes da medição
- Facilita localização correta e reprodutibilidade
Ficha de Avaliação
- Registro de 3 medidas de cada ponto
- Cálculo da mediana
- Espaço para observações (edema local, dificuldade de pinçamento, etc)
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2. Preparação do Paciente
A padronização da preparação é fundamental para resultados confiáveis e reprodutíveis.
Orientações Prévias (24 horas antes)
- Exercício físico: Evitar treinos intensos 12-24h antes (pode causar retenção hídrica transitória)
- Hidratação: Manter padrão habitual - evitar desidratação ou sobrecarga hídrica
- Alimentação: Não é necessário jejum, mas evitar refeições volumosas 2h antes
- Álcool: Evitar consumo nas 24h anteriores (altera hidratação)
No Momento da Avaliação
- Bexiga: Vazia
- Pele: Limpa e seca (sem cremes ou óleos)
- Temperatura: Ambiente confortável (pele fria dificulta pinçamento)
Posicionamento Padrão
- Paciente em pé, postura relaxada
- Braços ao longo do corpo (exceto quando especificado diferente)
- Roupas: Mínimas necessárias (shorts e top/sunga)
- Músculos relaxados (contração altera espessura da dobra)
Considerações Especiais
- Mulheres: Evitar período pré-menstrual se possível (possível retenção hídrica)
- Idosos: Maior cuidado com elasticidade da pele
- Obesos: Avaliar viabilidade do método (dificuldade de pinçamento em obesidade grau III)
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3. Protocolo de Medição: Os 7 Pontos Anatômicos
A técnica correta de localização e medição é o aspecto mais crítico do protocolo. Cada dobra possui características específicas de localização, direção e pinçamento.
Princípios Gerais de Medição
Técnica de pinçamento:
- Pinçar a pele e tecido subcutâneo com polegar e indicador
- Afastar da massa muscular subjacente (~1cm)
- Manter a dobra pinçada durante toda a medição
- Aplicar o adipômetro perpendicular à dobra, 1cm abaixo dos dedos
- Aguardar 2-3 segundos antes de fazer a leitura (compressão tecidual)
- Leitura no momento em que a agulha estabilizar
Frequência:
- 3 medidas de cada ponto
- Rotação entre os pontos (não medir 3x o mesmo seguido)
- Intervalo de 15 segundos entre medidas do mesmo ponto
- Usar a mediana (valor do meio) se variação > 5% entre medidas
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3.1. Dobra Peitoral (Homens) / Tricipital (Mulheres começam aqui)
LOCALIZAÇÃO (Peitoral - Homens):
- Ponto: Metade da distância entre linha axilar anterior e mamilo
- Direção: Diagonal (acompanha fibras do músculo peitoral maior)
- Ângulo: Aproximadamente 45° em relação à horizontal
POSICIONAMENTO DO PACIENTE:
- Em pé, braço relaxado ao longo do corpo
- Tórax em postura neutra
TÉCNICA DE PINÇAMENTO:
- Pinçar seguindo a direção das fibras musculares (diagonal)
- Afastar bem da musculatura peitoral
⚠️ ERROS COMUNS:
- ❌ Confundir com linha axilar média (ponto fica muito lateral)
- ❌ Fazer dobra horizontal ao invés de diagonal
- ❌ Incluir músculo na dobra (pinçamento muito profundo)
- ✅ CORRETO: Dobra diagonal acompanhando fibras do peitoral, apenas pele + tecido subcutâneo
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3.2. Dobra Axilar Média
LOCALIZAÇÃO:
- Ponto: Linha axilar média, na altura do processo xifoide
- Direção: Horizontal
- Referência: Palpar processo xifoide para definir altura correta
POSICIONAMENTO DO PACIENTE:
- Braço abduzido 90° (horizontal, afastado do corpo)
- Antebraço flexionado para cima
⚠️ ERROS COMUNS:
- ❌ Medir com braço ao longo do corpo (comprime a dobra)
- ❌ Ponto muito alto (próximo à axila) ou muito baixo
- ✅ CORRETO: Palpar processo xifoide primeiro, marcar altura, depois medir com braço abduzido
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3.3. Dobra Tricipital
LOCALIZAÇÃO:
- Ponto: Linha média posterior do braço, entre acrômio e olécrano
- Direção: Vertical
- Medição: Ponto médio (meça distância acrômio-olécrano, divida por 2)
POSICIONAMENTO DO PACIENTE:
- Braço relaxado ao longo do corpo
- Cotovelo estendido
⚠️ ERROS COMUNS:
- ❌ Medir muito lateral ou medial (deve ser linha média posterior)
- ❌ Incluir músculo (paciente contraindo tríceps)
- ✅ CORRETO: Medir distância com fita métrica, marcar ponto médio, dobra estritamente vertical
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3.4. Dobra Subescapular
LOCALIZAÇÃO:
- Ponto: 2cm abaixo do ângulo inferior da escápula
- Direção: Diagonal (45° em relação à horizontal)
- Segue linha de clivagem natural da pele
POSICIONAMENTO DO PACIENTE:
- Em pé, ombros relaxados
- Braços relaxados ao longo do corpo
⚠️ ERROS COMUNS:
- ❌ Medir exatamente no ângulo (deve ser 2cm abaixo)
- ❌ Dobra vertical ou horizontal (deve ser diagonal 45°)
- ✅ CORRETO: Palpar bem o ângulo, descer 2cm, dobra diagonal seguindo linha natural
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3.5. Dobra Abdominal
LOCALIZAÇÃO:
- Ponto: 2cm lateral ao umbigo (lado direito)
- Direção: Vertical
- Altura: Mesma linha horizontal do umbigo
POSICIONAMENTO DO PACIENTE:
- Em pé, abdômen relaxado
- Respiração normal
⚠️ ERROS COMUNS:
- ❌ Medir muito próximo ao umbigo (< 2cm)
- ❌ Paciente contraindo abdômen
- ❌ Paciente prendendo a respiração
- ✅ CORRETO: Paciente completamente relaxado, respiração normal, exatos 2cm lateral
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3.6. Dobra Suprailíaca
LOCALIZAÇÃO:
- Ponto: Linha axilar anterior, imediatamente acima da crista ilíaca
- Direção: Diagonal (45° ântero-inferior)
POSICIONAMENTO DO PACIENTE:
- Em pé, braço direito levemente abduzido
⚠️ ERROS COMUNS:
- ❌ Confundir com dobra abdominal (localizações diferentes!)
- ❌ Dobra horizontal (deve ser diagonal)
- ✅ CORRETO: Linha axilar anterior bem definida, logo acima da crista ilíaca palpável
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3.7. Dobra da Coxa Anterior
LOCALIZAÇÃO:
- Ponto: Linha média anterior da coxa
- Altura: Ponto médio entre prega inguinal e borda superior da patela
- Direção: Vertical
POSICIONAMENTO DO PACIENTE:
- Sentado com joelho flexionado 90° OU em pé com perna semiflexionada
- Quadríceps relaxado (CRÍTICO)
⚠️ ERROS COMUNS:
- ❌ ERRO CRÍTICO: Paciente contraindo quadríceps
- ❌ Ponto muito alto ou muito baixo
- ✅ CORRETO: Paciente totalmente relaxado, músculo "mole", dobra vertical no ponto médio
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3.8. Dobra da Panturrilha Medial
LOCALIZAÇÃO:
- Ponto: Face medial (interna) da panturrilha, na maior circunferência
- Direção: Vertical
POSICIONAMENTO DO PACIENTE:
- Perna levemente à frente, joelho semiflexionado
- Músculo da panturrilha relaxado
⚠️ ERROS COMUNS:
- ❌ Medir face posterior (deve ser medial/interna)
- ❌ Não localizar ponto de maior circunferência
- ✅ CORRETO: Medir circunferência máxima primeiro, marcar ponto, músculos relaxados
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4. Sequência de Medição e Registro
Ordem Recomendada (Padrão ISAK)
Rodada 1:
- Tríceps (D)
- Subescapular (D)
- Peitoral (D - homens)
- Axilar Média (D)
- Suprailíaca (D)
- Abdominal (D)
- Coxa (D)
- Panturrilha (D)
Rodadas 2 e 3: Repetir mesma sequência
Princípios
- Intervalo: 15 segundos entre medidas do mesmo ponto
- Rotação: Medir todos os 7 pontos antes de voltar ao primeiro
- Tempo total: 15-20 minutos
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5. Cálculo de Densidade Corporal e Percentual de Gordura
5.1. Fórmulas de Densidade Corporal
#### HOMENS (18-61 anos):
#### MULHERES (18-55 anos):
5.2. Conversão para %GC (Fórmula de Siri)
5.3. Exemplo Prático
CASO: Homem, 35 anos, soma = 140mm
PASSO 1:
PASSO 2:
5.4. Tabela de Classificação (Pollock & Wilmore, 1993)
#### HOMENS
| Classificação | % Gordura |
|---------------|-----------|
| Essencial | 2-5% |
| Atletas | 6-13% |
| Fitness | 14-17% |
| Aceitável | 18-24% |
| Obesidade | ≥ 25% |
#### MULHERES
| Classificação | % Gordura |
|---------------|-----------|
| Essencial | 10-13% |
| Atletas | 14-20% |
| Fitness | 21-24% |
| Aceitável | 25-31% |
| Obesidade | ≥ 32% |
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6. Limitações do Método
6.1. Limitações Técnicas
- Dependência do avaliador: Alta (necessita treinamento - mínimo 50 avaliações)
- Variabilidade inter-avaliador: 5-10%
- Variabilidade intra-individual: Hidratação, ciclo menstrual, horário
6.2. Populações com Limitações
❌ Obesidade Grau III (IMC ≥ 40): Dificuldade de pinçamento
⚠️ Idosos (> 65 anos): Alteração da elasticidade da pele
⚠️ Atletas de elite: Massa muscular muito acima da média
❌ Edema ou linfedema: Contraindicação absoluta
6.3. Comparação com Outros Métodos
| Método | Custo | Precisão | Praticidade | Melhor uso |
|---------------------|-------|----------|-------------|-------------------------------|
| Pollock 7 dobras| Baixo | Alta | Moderada | Acompanhamento clínico |
| Pollock 3 dobras| Baixo | Moderada | Alta | Triagem rápida |
| Bioimpedância | Médio | Moderada | Alta | Consultório, grande volume |
| DEXA | Alto | Muito alta| Baixa | Pesquisa, validação |
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7. Pollock 7 vs 3 Dobras
Protocolo de 3 Dobras
Homens: Peitoral, Abdominal, Coxa
Mulheres: Tríceps, Suprailíaca, Coxa
Vantagens:
- ✅ Mais rápido (5-7 min)
- ✅ Boa correlação com 7 dobras (r=0.90-0.95)
Desvantagens:
- ❌ Menor precisão
Quando Usar Cada?
Use 3 DOBRAS quando:
- Triagem em grande volume
- Tempo limitado
Use 7 DOBRAS quando:
- Acompanhamento detalhado
- Pesquisa científica
- Atletas (mudanças sutis)
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8. Conclusão
O protocolo de Pollock 7 dobras permanece, após mais de 40 anos, como um dos métodos mais confiáveis para avaliação de composição corporal. Sua principal vantagem está na combinação de baixo custo, portabilidade e acurácia adequada quando executado por profissional treinado.
A técnica correta é fundamental: localização anatômica precisa, padronização do pinçamento, calibração do equipamento e registro adequado. Dominar este protocolo exige prática - as primeiras 50-100 avaliações são essenciais.
Como nutricionista, utilize as dobras cutâneas como parte de uma avaliação integral, contextualizando resultados com história clínica, exames e objetivos individuais.
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Referências
- Jackson AS, Pollock ML. Practical assessment of body composition. Phys Sportsmed. 1985;13(5):76-90.
- Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. Br J Nutr. 1978;40(3):497-504.
- Jackson AS, Pollock ML, Ward A. Generalized equations for predicting body density of women. Med Sci Sports Exerc. 1980;12(3):175-81.
- Siri WE. Body composition from fluid spaces and density. In: Brozek J, Henschel A, editors. Techniques for Measuring Body Composition. Washington, DC: National Academy of Sciences; 1961.
- Heyward VH, Wagner DR. Applied Body Composition Assessment. 2nd ed. Human Kinetics; 2004.
- ISAK. International Standards for Anthropometric Assessment. 2001.
- Lohman TG, Roche AF, Martorell R. Anthropometric Standardization Reference Manual. Human Kinetics; 1988.
- Pollock ML, Wilmore JH. Exercícios na Saúde e na Doença. 2ª ed. Rio de Janeiro: MEDSI; 1993.
- Wagner DR, Heyward VH. Measures of body composition in blacks and whites: a comparative review. Am J Clin Nutr. 2000;71(6):1392-402.
- Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares. Rev Bras Med Esporte. 2009;15(3 Supl):2-12.


