Antropometria
Protocolo de Pollock 7 dobras: onde medir e como calcular
As sete dobras de Jackson e Pollock, o ponto exato de cada uma e a conta que leva da soma das dobras ao percentual de gordura, com exemplo resolvido e calculadora.
As 7 dobras do protocolo
As mesmas para homens e mulheres, sempre do lado direito do corpo.
- Σ7Soma das dobras, em mm
- DDensidade, com a idade (Jackson e Pollock)
- %GPercentual de gordura (Siri)
O protocolo de 7 dobras de Jackson e Pollock estima a densidade corporal a partir de sete dobras cutâneas e da idade. A equação dos homens é de 1978 e a das mulheres, de 1980. As duas foram desenvolvidas contra a pesagem hidrostática, o método de referência da época, e seguem entre as mais usadas em consultório e em avaliação física.
Comparado ao Pollock de 3 dobras, ele mede tronco e membros nos dois sexos, o que ajuda quando a gordura se distribui de forma desigual. Em troca, a coleta leva mais tempo e depende mais da mão de quem mede.
Onde medir cada dobra
Os números seguem a figura do topo e a ordem do prontuário. Marque todos os pontos com a caneta antes da primeira medida: a segunda rodada cai no mesmo lugar e a reavaliação também.
Peitoral
Diagonal- Onde
- Na linha entre a axila e o mamilo. Nos homens, na metade da distância; nas mulheres, a um terço dela, a partir da axila.
- Paciente
- Em pé, braços relaxados ao lado do corpo.
- Erro comum
- Pinçar na horizontal. A dobra acompanha a fibra do peitoral, na diagonal.
Axilar média
Vertical- Onde
- Na linha axilar média, na altura do processo xifoide do esterno.
- Paciente
- Em pé, com o braço direito um pouco afastado do corpo, só o bastante para liberar a região.
- Erro comum
- Achar a altura no olho. Palpe o xifoide primeiro e leve a altura até a linha axilar.
Parte dos manuais mede esta dobra na horizontal, no mesmo ponto. Escolha uma direção e mantenha nas reavaliações.
Tricipital
Vertical- Onde
- Na linha média da face posterior do braço, no ponto médio entre o acrômio e o olécrano.
- Paciente
- Em pé, braço relaxado e cotovelo estendido.
- Erro comum
- Medir fora da linha média ou com o tríceps contraído. Marque o ponto médio com a fita antes de pinçar.
Subescapular
Diagonal- Onde
- De 1 a 2 cm abaixo do ângulo inferior da escápula, em linha de 45° descendo para o lado do corpo.
- Paciente
- Em pé, ombros e braços relaxados.
- Erro comum
- Pinçar em cima do ângulo da escápula. Palpe o ângulo e desça antes de pegar a dobra.
Abdominal
Vertical- Onde
- A 2 cm da cicatriz umbilical, do lado direito.
- Paciente
- Em pé, abdome relaxado e respiração normal.
- Erro comum
- Medir com o paciente encolhendo a barriga ou prendendo o ar.
Supra-ilíaca
Diagonal- Onde
- Logo acima da crista ilíaca, na linha axilar anterior, seguindo a inclinação natural da crista.
- Paciente
- Em pé, com o braço direito afastado do corpo ou cruzado à frente do tronco.
- Erro comum
- Confundir com a abdominal, que fica junto ao umbigo, ou pinçar na horizontal.
Coxa
Vertical- Onde
- Na linha média anterior da coxa, no meio do caminho entre a prega inguinal e a borda superior da patela.
- Paciente
- Em pé, com o peso na perna esquerda e a coxa direita relaxada.
- Erro comum
- Medir com o quadríceps contraído. Peça para o paciente tirar o peso da perna medida.
Material, preparo e técnica
Material
- Adipômetro científico, com pressão constante de cerca de 10 g/mm² e leitura fina. Os de plástico não mantêm a pressão e servem mal para acompanhar o paciente.
- Fita métrica inelástica, para achar o ponto médio do braço e da coxa.
- Caneta dermográfica, para marcar os pontos.
- Ficha com espaço para duas ou três medidas por dobra.
Combine antes
- Roupa que deixe tronco, braço e coxa livres: short e top, ou sunga.
- Pele sem creme nem óleo no dia.
- Nas reavaliações, horário parecido e, se der, o mesmo avaliador e o mesmo adipômetro.
Na hora
- Paciente em pé, relaxado, com o peso nas duas pernas.
- Todas as medidas do lado direito do corpo.
- Evite medir logo depois do treino: o calor e o sangue na pele aumentam a dobra.
Como pinçar e ler
- Marque o ponto. Quando ele depende de ponto médio, como no tríceps e na coxa, meça com a fita.
- Pince a dobra com polegar e indicador, cerca de 1 cm acima da marca, trazendo pele e gordura e deixando o músculo.
- Encaixe o adipômetro na marca, perpendicular à dobra, sem soltar os dedos.
- Leia 1 a 2 segundos depois de soltar a pinça do adipômetro. Esperar mais deixa o tecido ceder e a leitura cai.
- Abra o adipômetro, solte a dobra e passe ao ponto seguinte. Volte a este só na próxima rodada.
Quantas medidasFaça pelo menos duas rodadas pelos 7 pontos. Se as duas medidas de uma dobra diferirem em mais de 2 mm, meça de novo e use a média das duas que concordam.
Fórmula de Pollock 7 dobras
A conta tem duas etapas. A equação de Jackson e Pollock transforma a soma das dobras e a idade em densidade corporal; a de Siri transforma a densidade em percentual de gordura.
Homens
D = 1,112 − 0,00043499 × S + 0,00000055 × S² − 0,00028826 × idade
Mulheres
D = 1,097 − 0,00046971 × S + 0,00000056 × S² − 0,00012828 × idade
D é a densidade corporal, em g/mL. S é a soma das 7 dobras, em mm. A idade é em anos.
Da densidade ao percentual (Siri, 1961)
%G = (4,95 ÷ D − 4,5) × 100
É a conversão mais usada e a mesma do prontuário e da calculadora. Ela supõe uma densidade fixa para a massa magra, o que funciona bem no adulto e perde precisão em crianças, idosos e grupos em que essa densidade é outra. Para esses casos há constantes próprias, como as de Lohman.
Exemplo resolvido
Os mesmos números dão o mesmo resultado na calculadora logo abaixo.
Homem de 35 anos
- Peitoral15 mm
- Axilar média18 mm
- Tricipital14 mm
- Subescapular22 mm
- Abdominal30 mm
- Supra-ilíaca21 mm
- Coxa20 mm
- Soma das dobras
S = 15 + 18 + 14 + 22 + 30 + 21 + 20 = 140 mm
- Densidade
D = 1,112 − 0,00043499 × 140 + 0,00000055 × 140² − 0,00028826 × 35 = 1,0518 g/mL
- Percentual de gordura
%G = (4,95 ÷ 1,0518 − 4,5) × 100 = 20,6%
Mulher de 30 anos
- Peitoral10 mm
- Axilar média12 mm
- Tricipital20 mm
- Subescapular16 mm
- Abdominal22 mm
- Supra-ilíaca14 mm
- Coxa26 mm
- Soma das dobras
S = 10 + 12 + 20 + 16 + 22 + 14 + 26 = 120 mm
- Densidade
D = 1,097 − 0,00046971 × 120 + 0,00000056 × 120² − 0,00012828 × 30 = 1,0449 g/mL
- Percentual de gordura
%G = (4,95 ÷ 1,0449 − 4,5) × 100 = 23,8%
Calcule o percentual de gordura com as 7 dobras
Idade e as sete medidas do paciente. Densidade, percentual de gordura e, com o peso, massa gorda e massa magra saem na hora. Sem cadastro, e nada do que você digita sai do navegador.
Percentual de gordura
Faltam a idade e 7 dobras
Preencha a idade e as dobras para ver o resultado.
Precisa de outro protocolo?
Pollock 3 dobras, Durnin e Womersley, Faulkner, Guedes e Petroski, com a faixa de idade de cada um.
Como interpretar o percentual
O percentual sozinho não diz se o paciente está bem. As faixas abaixo são do American Council on Exercise (ACE), uma referência comum em avaliação física, e servem para situar o número, não para diagnosticar.
| Faixa | Homens | Mulheres |
|---|---|---|
| Gordura essencial | 2 a 5% | 10 a 13% |
| Atletas | 6 a 13% | 14 a 20% |
| Boa forma | 14 a 17% | 21 a 24% |
| Média | 18 a 24% | 25 a 31% |
| Obesidade | 25% ou mais | 32% ou mais |
TendênciaNo acompanhamento, o que mais conta é a tendência. A soma das 7 dobras em mm, medida do mesmo jeito a cada consulta, mostra se a gordura subcutânea está caindo sem carregar o erro da equação. Muita gente acompanha atleta só pela soma.
Pollock 7 ou 3 dobras?
Os dois vêm dos mesmos estudos e costumam dar resultados próximos. A diferença está em quanto do corpo entra na conta e no tempo de coleta.
| Pollock 7 | Pollock 3 | |
|---|---|---|
| Dobras nos homens | as 7, iguais nos dois sexos | peitoral, abdominal e coxa |
| Dobras nas mulheres | as 7, iguais nos dois sexos | tricipital, supra-ilíaca e coxa |
| Coleta | mais longa | mais curta |
| Quando usar | acompanhamento detalhado e gordura distribuída de forma desigual | triagem, retorno rápido e paciente com pouco tempo |
| Idade validada | homens de 18 a 61 anos, mulheres de 18 a 55 anos | homens de 18 a 61 anos, mulheres de 18 a 55 anos |
O que não pode é trocar de protocolo no meio do acompanhamento: o número muda sem que o corpo tenha mudado.
Para adultos brasileiros, as equações de Petroski e de Guedes foram desenvolvidas aqui, com outras dobras e outras faixas de idade.
Limitações
- Quem mede pesa mais que a equação. A diferença entre dois avaliadores costuma ser maior que a diferença entre protocolos. Treine com um colega e, no acompanhamento, mantenha o mesmo avaliador.
- Obesidade. Com dobras muito grossas, o adipômetro não abre o bastante ou a dobra não se separa do músculo. Circunferências e bioimpedância costumam funcionar melhor.
- Idade fora da faixa. Em idosos, a pele perde elasticidade e mais gordura fica dentro do abdome, onde o adipômetro não chega. A conta funciona, mas a estimativa perde precisão.
- Atletas. Equações generalizadas erram mais em quem tem muita massa muscular e pouca gordura. Para atleta, a soma das dobras costuma ser mais útil que o percentual.
- Edema. Líquido acumulado no local engrossa a dobra. Com edema, a medida daquele ponto não vale.
Dúvidas sobre o protocolo de Pollock
Quais são as 7 dobras do protocolo de Pollock?
Peitoral, axilar média, tricipital, subescapular, abdominal, supra-ilíaca e coxa. São as mesmas para homens e mulheres, medidas do lado direito do corpo.
Qual é a fórmula de Pollock 7 dobras para mulheres?
Densidade = 1,097 − 0,00046971 × S + 0,00000056 × S² − 0,00012828 × idade, em que S é a soma das 7 dobras em mm (Jackson, Pollock e Ward, 1980). O percentual de gordura sai da equação de Siri: (4,95 ÷ densidade − 4,5) × 100.
E a fórmula para homens?
Densidade = 1,112 − 0,00043499 × S + 0,00000055 × S² − 0,00028826 × idade (Jackson e Pollock, 1978), com a mesma conversão de Siri para chegar ao percentual.
Pollock 7 ou 3 dobras: qual é mais preciso?
Os dois vêm dos mesmos estudos e dão resultados próximos na maioria dos adultos. O de 7 dobras mede mais regiões e ajuda quando a gordura se distribui de forma desigual; o de 3 é mais rápido. Pesa mais manter o mesmo protocolo em todas as avaliações do paciente.
Mede do lado direito ou esquerdo?
Direito. As equações foram desenvolvidas com medidas do lado direito, e é a convenção dos manuais de antropometria.
Quantas vezes medir cada dobra?
Pelo menos duas, em rodadas: todos os pontos, depois a segunda volta. Se as duas medidas diferirem em mais de 2 mm, meça de novo e use a média das que concordam.
Dá para usar em idosos e adolescentes?
As equações foram desenvolvidas em homens de 18 a 61 anos e mulheres de 18 a 55 anos. Fora dessa faixa a conta funciona, mas a estimativa perde precisão. Para crianças e adolescentes, a equação mais usada é a de Slaughter.
Referências
- Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. Br J Nutr. 1978;40(3):497-504.
- Jackson AS, Pollock ML, Ward A. Generalized equations for predicting body density of women. Med Sci Sports Exerc. 1980;12(3):175-81.
- Siri WE. Body composition from fluid spaces and density: analysis of methods. In: Brozek J, Henschel A, editors. Techniques for measuring body composition. Washington, DC: National Academy of Sciences; 1961. p. 223-44.
- American College of Sports Medicine. ACSM's Guidelines for Exercise Testing and Prescription. 11th ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2021.
- American Council on Exercise. ACE Personal Trainer Manual. 5th ed. San Diego: ACE; 2014.
- Heyward VH, Wagner DR. Applied Body Composition Assessment. 2nd ed. Champaign: Human Kinetics; 2004.
- Lohman TG. Applicability of body composition techniques and constants for children and youths. Exerc Sport Sci Rev. 1986;14:325-57.