Evolução do paciente na nutrição: GET, e composição corporal no acompanhamento
Como o Gasto Energético Total, a análise da composição corporal e o uso de fotografias ajudam a acompanhar os resultados.

Quando pensamos em evolução nutricional, é comum associarmos o resultado apenas ao peso e ao percentual de gordura. Embora sejam indicadores importantes, não explicam sozinhos todas as mudanças que podem acontecer durante o acompanhamento.
A variação do peso pode envolver alterações na massa de gordura, massa muscular, conteúdo gastrointestinal e água corporal. Por isso, a avaliação nutricional combina diferentes informações para compreender a resposta do paciente ao longo do tempo.
Entre elas estão o Gasto Energético Total (GET), peso, medidas corporais, composição corporal e análise de imagens.
Gasto Energético Total: o ponto de partida
O Gasto Energético Total (GET) representa a energia utilizada pelo organismo ao longo do dia. Ele considera componentes como a taxa metabólica basal, o efeito térmico dos alimentos e a atividade física.
Na prática clínica, o GET é utilizado como referência para o planejamento alimentar. A partir dele, a ingestão energética pode ser ajustada de acordo com o objetivo do paciente, como perda de peso, manutenção ou ganho de massa muscular.
Como o gasto energético individual não é medido diretamente na maioria dos atendimentos na prática clinica, utilizamos equações preditivas para estimá-lo.
Equações para estimativa do gasto energético
Existem diferentes equações, e cada uma foi desenvolvida a partir de determinadas populações e características. Entre as mais utilizadas estão:
Mifflin-St Jeor: publicada na década de 1990, considera peso, altura, idade e sexo e é amplamente utilizada na prática clínica.
Harris-Benedict: uma das equações mais tradicionais, publicada originalmente em 1919 e posteriormente revisada em 1984.
FAO/OMS: apresenta equações específicas para diferentes faixas etárias e sexos.
EER/IOM: desenvolvida pelo Institute of Medicine e utilizada para estimar as necessidades energéticas considerando características como idade, peso, altura e atividade física.
Katch-McArdle e Cunningham: utilizam a massa livre de gordura e podem ser interessantes em determinados indivíduos fisicamente ativos.
Ten Haaf, Owen e Tinsley: também foram desenvolvidas para populações e contextos específicos.
Por isso, a escolha da equação deve considerar as características do paciente e a população na qual a fórmula foi desenvolvida.
Mais importante ainda: o resultado é uma estimativa. A resposta observada durante o acompanhamento é fundamental para verificar se a estratégia precisa ser mantida ou ajustada.
Composição corporal: além do peso
A composição corporal acrescenta informações que o peso isoladamente não consegue fornecer.
Bioimpedância, dobras cutâneas, DXA e outros métodos podem ser utilizados para estimar componentes como massa de gordura e massa livre de gordura.
Cada método apresenta vantagens e limitações. A bioimpedância, por exemplo, pode sofrer influência das condições de hidratação, treino, período menstrual, enquanto a avaliação por dobras depende da técnica do profissional e fica prejudicada em caso de obesidade severa.
Por isso, para acompanhar a evolução, a padronização do método é tão importante quanto o próprio resultado.
Um percentual de gordura obtido em condições diferentes pode ser difícil de comparar. Já avaliações realizadas seguindo um protocolo consistente permitem observar melhor a tendência de mudança.
Avaliação corporal por fotografias
A tecnologia começa a abrir novas possibilidades para o acompanhamento nutricional.
As fotografias podem ser utilizadas de maneira padronizada para acompanhar mudanças corporais ao longo do tratamento. E pesquisas recentes mostram que elas podem ir além da simples comparação visual.
Um estudo publicado no npj Digital Medicine avaliou 1.273 adultos e utilizou fotografias 2D associadas à inteligência artificial para estimar o percentual de gordura corporal, comparando os resultados com o DXA, método utilizado como referência no estudo. O método apresentou alta concordância com o DXA.
Esse resultado é especialmente interessante para o atendimento nutricional online.
A fotografia passa a ser mais do que um registro visual do paciente: com uma metodologia específica de análise por inteligência artificial, ela pode fornecer uma estimativa de percentual de gordura corporal, criando mais uma possibilidade de acompanhamento à distância.
O acompanhamento da trajetória é mais importante do que um número isolado
O GET fornece uma referência para o planejamento energético. A composição corporal ajuda a compreender as mudanças corporais. Peso e medidas complementam a avaliação. E as fotografias podem acrescentar uma dimensão visual e, com ferramentas de inteligência artificial validadas, também uma estimativa de composição corporal. Nenhum desses indicadores precisa ser analisado isoladamente. E soma-se a isso o feebback do paciente, tão importante, quanto.
O objetivo do acompanhamento nutricional é reunir informações suficientes para compreender a evolução e decidir quando manter ou modificar a estratégia. Um protocolo consistente pode ser mais útil do que a busca por um número perfeito.
No atendimento presencial ou online, o princípio permanece o mesmo: avaliar, acompanhar, interpretar e ajustar incluindo o paciente nom processo.


