Alimentação

Manteiga x Margarina: entenda os benefícios e riscos de cada uma

Embora parecidas, manteiga e margarina têm origens e efeitos diferentes na saúde. Saiba seus principais benefícios, riscos e o que dizem as evidências científicas sobre cada uma.

Manteiga: o clássico de origem animal

A manteiga é um produto de origem animal, obtido a partir do creme de leite batido. Por conter poucos ingredientes, costuma ser vista como uma opção mais natural.

Benefícios

  • Composição simples, com ingredientes minimamente processados.
  • Fonte natural das vitaminas A, D, E e K, lipossolúveis.
  • Sabor marcante e textura agradável, que favorecem a saciedade e reduzem o uso de condimentos.
  • Em quantidades pequenas e dentro de uma dieta equilibrada, não há evidências conclusivas de aumento expressivo no risco cardiovascular.

Pontos de atenção

  • Rica em gorduras saturadas e colesterol, que podem elevar o LDL (“colesterol ruim”) quando consumidos em excesso.
  • É caloricamente densa: cerca de 100 kcal por colher de sopa.
  • O consumo frequente, associado a dietas pobres em fibras e vegetais, pode contribuir para doenças cardiovasculares (Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2021).



Margarina: a alternativa vegetal

Criada como substituta da manteiga, a margarina é feita com óleos vegetais (como soja, girassol ou canola).
Com o tempo, passou por grandes reformulações — especialmente após a proibição das gorduras trans pela FDA (EUA) e pela Anvisa (Brasil).

Benefícios

  • Produzida a partir de óleos vegetais, portanto livre de colesterol.
  • Apresenta menor teor de gordura saturada do que a manteiga.
  • Rica em gorduras insaturadas (mono e poli-insaturadas), associadas à melhora do perfil lipídico.
  • Margarinas modernas não contêm gordura trans, após a remoção dos óleos parcialmente hidrogenados (Weber et al., 2021).
  • Algumas versões são enriquecidas com vitaminas A, D e E.

Pontos de atenção

  • Pode conter aditivos e emulsificantes, variando entre marcas.
  • As versões em tablete ou mais firmes ainda apresentam teor maior de gordura saturada.
  • Mesmo as versões vegetais devem ser consumidas com moderação, pois são fontes de calorias e gorduras.
  • O perfil nutricional depende do tipo de óleo utilizado — por isso, é essencial ler o rótulo.

O que dizem as evidências científicas

Sociedade Brasileira de Cardiologia (2021)
O posicionamento oficial reforça a importância de limitar o consumo de gorduras saturadas e trans, priorizando o uso de fontes insaturadas — como azeite, óleos vegetais e oleaginosas — para reduzir o risco cardiovascular.

Estudo de Weber et al. (2021)
Ao analisar produtos disponíveis no mercado norte-americano após o banimento das gorduras trans, os pesquisadores observaram que:

  • As margarinas em pote ou cremosas possuem até metade da gordura saturada presente na manteiga;
  • E apresentam duas vezes mais gorduras poli-insaturadas, associadas à proteção cardiovascular.

Contexto alimentar importa
Os efeitos das gorduras dependem do conjunto da dieta. Um consumo equilibrado de frutas, verduras, leguminosas e grãos integrais modula o impacto de alimentos como manteiga ou margarina na saúde do coração.

Conclusão

Tanto a manteiga quanto a margarina têm características nutricionais únicas, com pontos positivos e negativos. Mais importante do que escolher entre uma ou outra é compreender como e quanto elas fazem parte do padrão alimentar. O equilíbrio, a moderação e a qualidade dos alimentos continuam sendo os pilares de uma alimentação saudável e cardioprotetora.

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